De onde vem a energia que move o Brasil?

Compartilhe:

Quando você acende uma luz, liga o ar condicionado, inicia uma máquina industrial ou conecta um computador à tomada, existe uma grande estrutura por trás daquele simples gesto.

A eletricidade utilizada no Brasil é produzida a partir de diferentes fontes de geração. Água, vento, sol, biomassa, gás natural, carvão, derivados de petróleo e energia nuclear participam de uma matriz que vem passando por uma transformação importante nos últimos anos.

E os números mais recentes mostram algo bastante particular: o Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo.

De acordo com o Balanço Energético Nacional 2026, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, em 2025 as fontes renováveis responderam por 86,8 por cento da geração de eletricidade brasileira. No mesmo ano, a geração total de eletricidade cresceu 3,3 por cento em relação a 2024. (EPE)

Mas de onde vem toda essa energia?

A força da água ainda domina a geração brasileira

As hidrelétricas continuam sendo a principal fonte de geração de eletricidade do Brasil.

Em 2025, a geração hidráulica alcançou 401.415 GWh e respondeu por 51,7 por cento de toda a geração elétrica brasileira. Apesar de continuar na liderança, a participação da hidráulica vem diminuindo ao longo dos anos diante do crescimento acelerado de outras fontes, principalmente solar e eólica. (EPE)

O funcionamento é relativamente simples em conceito. A água armazenada ou conduzida pelo sistema hidráulico movimenta turbinas, que acionam geradores responsáveis pela transformação da energia mecânica em energia elétrica.

Dentro da geração hidráulica existem diferentes tipos de empreendimentos.

As UHEs, ou Usinas Hidrelétricas, são os grandes empreendimentos de geração. Normalmente possuem elevada capacidade instalada e podem contar com grandes reservatórios ou operar com outras configurações hidráulicas.

As PCHs, ou Pequenas Centrais Hidrelétricas, são empreendimentos de menor porte. Pela classificação utilizada pela EPE, possuem potência instalada superior a 5 MW e igual ou inferior a 30 MW, além de critérios relacionados ao reservatório.

As CGHs, ou Centrais Geradoras Hidrelétricas, são empreendimentos ainda menores, com potência instalada de até 5 MW. (EPE Dashboard)

UHE, PCH e CGH, portanto, não devem ser somadas como fontes independentes na matriz elétrica. Todas fazem parte da geração hidráulica, que respondeu pelos 51,7 por cento registrados em 2025.

A presença da geração hidráulica é particularmente importante em regiões com grande disponibilidade de recursos hídricos e rios com características favoráveis à geração.

A Região Sul, por exemplo, possui uma forte concentração de grandes empreendimentos hidrelétricos. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentam importantes parques de geração hidráulica. Apenas os quatro estados considerados no diagnóstico regional do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, somavam aproximadamente 22,7 GW em UHEs em 2025. (EPE)

A Região Norte também possui enorme importância para a geração hidráulica brasileira, principalmente pela presença de grandes rios e empreendimentos de elevada capacidade instalada.

Entre as principais vantagens da geração hidráulica estão a capacidade de produzir grandes volumes de eletricidade, a possibilidade de armazenamento de energia potencial por meio dos reservatórios e sua capacidade de contribuir para a estabilidade do sistema elétrico.

Ao mesmo tempo, grandes empreendimentos hidrelétricos envolvem investimentos elevados, estruturas complexas, extensas áreas de infraestrutura e riscos operacionais, ambientais e patrimoniais que precisam ser considerados desde a implantação até a operação.

O vento ganhou espaço e já responde por 15 por cento

A energia eólica é uma das grandes histórias de expansão da matriz elétrica brasileira.

Em 2025, os parques eólicos produziram 116.488 GWh, correspondentes a 15,0 por cento de toda a geração de eletricidade do país.

A capacidade instalada eólica alcançou 34.707 MW no mesmo ano, com crescimento de 17,5 por cento em relação a 2024. A geração também cresceu 8,2 por cento. (EPE)

O Nordeste é o grande centro da geração eólica brasileira.

A combinação de ventos fortes, constantes e favoráveis durante grande parte do ano transformou estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Pernambuco em importantes polos de geração.

A expansão dos parques eólicos também modificou a paisagem de diversas regiões brasileiras, com grandes conjuntos de aerogeradores conectados ao sistema de transmissão nacional.

Uma das vantagens da fonte eólica é utilizar um recurso natural abundante e renovável para produzir eletricidade sem a necessidade de combustão de combustíveis fósseis durante a geração.

A tecnologia também avançou significativamente, permitindo a utilização de aerogeradores maiores e mais eficientes e a instalação de parques em regiões com excelente potencial de vento.

A energia eólica, entretanto, depende das condições naturais do vento. Por isso, sua expansão acontece em conjunto com outras fontes e com uma rede elétrica capaz de transportar a energia produzida nos grandes centros geradores até os locais onde ela será consumida.

A energia solar é a fonte que mais acelera

Entre todas as transformações recentes da matriz elétrica brasileira, nenhuma chama tanta atenção quanto a expansão da energia solar fotovoltaica.

Em 2025, a geração solar fotovoltaica alcançou 88.141 GWh, representando 11,4 por cento da geração total de eletricidade do país.

O crescimento em relação a 2024 foi de 24,7 por cento.

A capacidade instalada chegou a 64,8 GW, um aumento de aproximadamente 34 por cento em apenas um ano. Do total instalado, 44,7 GW correspondiam à geração distribuída e 20,1 GW à geração centralizada. (EPE)

Esse dado ajuda a explicar por que a energia solar está cada vez mais presente no cotidiano de empresas, indústrias, propriedades rurais e residências.

Uma parte importante dessa expansão acontece fora das grandes usinas.

É a chamada Micro e Minigeração Distribuída, ou MMGD.

Nesse modelo, o próprio consumidor pode instalar uma unidade geradora, normalmente um sistema fotovoltaico, em sua residência, empresa, propriedade rural ou outro imóvel.

A energia produzida pode ser consumida no próprio local e, conforme as regras aplicáveis, o excedente pode ser injetado na rede para posterior compensação.

A ANEEL estabelece atualmente a microgeração distribuída para centrais de até 75 kW e a minigeração para instalações acima de 75 kW, dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação. (Serviços e Informações do Brasil)

Em 2025, a MMGD alcançou 45,0 GW de capacidade instalada, aproximadamente 7,2 milhões de consumidores e uma geração estimada de 54.483 GWh.

Isso representa uma transformação importante na forma como parte da energia é produzida e consumida no país.

Em vez de toda a eletricidade ser produzida em grandes usinas e transportada por longas distâncias, uma parcela crescente passa a ser gerada próxima ao ponto de consumo.

O que mais aparece nas casas e nas empresas?

Quando falamos em geração própria de energia, a fonte solar fotovoltaica é, de longe, a principal protagonista.

Isso acontece porque os painéis solares podem ser instalados em telhados, estacionamentos, terrenos, galpões industriais, propriedades rurais e outras áreas disponíveis.

A expansão também alcança diferentes perfis de consumidores.

Nas residências, os sistemas fotovoltaicos podem reduzir a dependência da energia comprada da distribuidora e permitir a compensação da energia excedente conforme as regras do sistema de compensação.

Nas empresas, a geração própria pode ser utilizada para reduzir custos com eletricidade, melhorar a previsibilidade de despesas e aproveitar áreas disponíveis nos próprios imóveis.

Em propriedades rurais, os sistemas solares também encontram aplicações importantes, incluindo instalações de bombeamento, irrigação, armazenamento, estruturas de produção e demais atividades que demandam eletricidade.

A escala dessa transformação é significativa. Entre 2024 e 2025, a capacidade instalada da MMGD aumentou de 36,2 GW para 45,0 GW. A EPE também aponta que o segmento residencial permanece como um dos principais motores da expansão da geração distribuída. (EPE)

A energia solar distribuída também é responsável por uma parcela expressiva da própria geração solar brasileira.

Em 2025, aproximadamente 60 por cento dos 88.141 GWh de geração solar fotovoltaica vieram da micro e minigeração distribuída. (EPE)

Esse movimento mostra uma mudança estrutural no setor elétrico: o consumidor deixou de ser apenas consumidor e passou, em muitos casos, a também produzir energia.

Onde estão concentradas as fontes de geração?

A distribuição das fontes de energia pelo território brasileiro é bastante desigual.

Cada região apresenta características naturais diferentes e, consequentemente, vantagens para determinados tipos de geração.

A energia eólica possui forte concentração no Nordeste, especialmente em estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

A energia solar também encontra condições especialmente favoráveis no Nordeste, além de apresentar forte expansão em Minas Gerais, São Paulo e outros estados do Sudeste e Centro-Oeste.

A geração hidráulica possui presença histórica em diferentes regiões, com grandes empreendimentos distribuídos principalmente pelas bacias hidrográficas brasileiras.

A biomassa está fortemente relacionada à localização das cadeias agroindustriais. A produção de cana-de-açúcar, por exemplo, favorece a geração de eletricidade a partir do bagaço e de outros subprodutos.

Em termos de capacidade instalada total de geração elétrica, Minas Gerais passou a liderar o ranking entre os estados em 2025, ultrapassando São Paulo.

Naquele ano, os cinco estados com maior participação na capacidade instalada nacional foram Minas Gerais, com 11,3 por cento, São Paulo, com 10,8 por cento, Bahia, com 8,8 por cento, Paraná, com 8,7 por cento, e Pará, também com 8,7 por cento.

Juntos, esses cinco estados concentravam 48,3 por cento da capacidade instalada brasileira. (EPE Dashboard)

Esse dado é importante porque demonstra que a geografia da energia brasileira está mudando. Os grandes complexos hidrelétricos continuam fundamentais, mas a expansão de parques solares e eólicos está criando novos polos de geração em diferentes regiões.

Biomassa: quando um resíduo vira energia

A biomassa representa outra importante fonte renovável da matriz brasileira.

Em 2025, a geração por biomassa alcançou 66.090 GWh, correspondendo a 8,5 por cento da geração elétrica brasileira. (EPE)

A lógica é aproveitar materiais orgânicos capazes de gerar energia.

Entre os principais exemplos estão o bagaço de cana-de-açúcar, resíduos de processos industriais, licor preto da indústria de celulose e outros materiais provenientes de atividades agroindustriais.

O setor sucroenergético brasileiro é um dos principais exemplos dessa integração.

A cana-de-açúcar é utilizada para produzir açúcar e etanol, enquanto o bagaço resultante do processamento pode ser utilizado como combustível para geração de vapor e eletricidade.

Isso cria uma cadeia de aproveitamento energético em que um subproduto de uma atividade industrial passa a ter valor econômico e energético.

Além da biomassa tradicional, outras formas de aproveitamento de resíduos também podem gerar energia, como o biogás produzido a partir da decomposição de matéria orgânica.

Essa característica torna a biomassa particularmente interessante para o Brasil, devido ao tamanho e à diversidade de suas cadeias agrícolas, industriais e florestais.

E as fontes não renováveis?

Apesar da forte predominância das fontes renováveis, o Brasil também utiliza fontes não renováveis para garantir a segurança e a flexibilidade do sistema elétrico.

Em 2025, as usinas termelétricas tiveram geração de 169,9 TWh, crescimento de 12,3 por cento em relação a 2024.

Dentro desse grupo, o gás natural ganhou destaque, com geração de 58.645 GWh, equivalente a 7,6 por cento da geração elétrica brasileira.

A energia nuclear respondeu por 2,0 por cento, o carvão por 1,4 por cento e os derivados de petróleo por 0,9 por cento. Outras fontes responderam por 1,5 por cento. (EPE)

As termelétricas desempenham uma função estratégica porque podem ser acionadas de acordo com as necessidades do sistema, contribuindo para complementar a geração de fontes cuja produção varia conforme condições climáticas, como chuva, vento e radiação solar.

Uma matriz cada vez mais diversificada

Os números de 2025 mostram uma mudança importante na composição da eletricidade brasileira.

A hidráulica continua sendo a maior fonte individual, com 51,7 por cento da geração.

A eólica já representa 15,0 por cento.

A solar alcançou 11,4 por cento.

A biomassa respondeu por 8,5 por cento.

Somadas, essas quatro fontes representam 86,6 por cento da geração elétrica brasileira. A participação oficial das fontes renováveis na matriz elétrica chegou a 86,8 por cento, considerando também as demais fontes renováveis. (EPE)

Outro número chama atenção: eólica e solar juntas já representaram 26,4 por cento da geração total de eletricidade do país em 2025. (EPE)

A tendência também aparece na expansão da capacidade instalada.

Em 2025, o Brasil adicionou 24,6 GW de capacidade de geração elétrica, chegando a 261 GW.

Somente a energia solar acrescentou 16,3 GW no ano, sendo 8,8 GW provenientes da micro e minigeração distribuída.

Foram adicionados ainda 5,2 GW de capacidade eólica, 2,8 GW de termelétricas e aproximadamente 0,3 GW de capacidade hidráulica. (EPE Dashboard)

Ou seja, enquanto as grandes hidrelétricas continuam sustentando uma parcela enorme da geração brasileira, a expansão recente está cada vez mais concentrada em fontes como solar e eólica.

Mais geração também significa mais investimentos e mais riscos

A expansão das fontes renováveis cria novas oportunidades para o setor energético brasileiro, mas também aumenta a necessidade de planejamento, gestão de riscos e proteção patrimonial.

Uma usina hidrelétrica envolve barragens, turbinas, geradores, subestações, linhas de transmissão e estruturas de grande porte.

Um parque eólico reúne aerogeradores, transformadores, redes internas, subestações, acessos e equipamentos especializados.

Uma usina solar possui milhares de módulos fotovoltaicos, inversores, estruturas metálicas, transformadores, sistemas elétricos e equipamentos de conexão.

Na geração distribuída, a escala pode ser menor, mas os ativos também representam investimentos importantes para famílias, empresas, produtores rurais e investidores.

Em todos esses casos, existem riscos relacionados à implantação, transporte, montagem, operação, equipamentos, danos materiais, interrupção das atividades e outros eventos que podem comprometer o investimento.

É justamente nesse cenário que o seguro especializado assume importância estratégica.

Energia renovável também precisa de proteção

O crescimento da geração renovável brasileira representa uma transformação estrutural no setor elétrico.

Água, vento, sol e biomassa estão participando cada vez mais da produção de eletricidade e, paralelamente, milhões de consumidores estão passando a gerar sua própria energia.

Para empresas e investidores que atuam nesse mercado, compreender os riscos de cada projeto é tão importante quanto compreender seu potencial de geração.

A Acesso Brasil Seguros atua há 16 anos no mercado, com experiência e know-how em seguros para o setor de energia e infraestrutura.

Nosso trabalho é compreender as características de cada projeto, identificar os principais riscos envolvidos e buscar soluções de proteção compatíveis com a realidade de cada operação.

Porque a energia que movimenta o Brasil também movimenta investimentos, empresas e projetos que precisam estar protegidos.

Fontes e dados

Os dados apresentados neste artigo têm como principais referências o Balanço Energético Nacional 2026 e o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, ambos elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética, com ano base 2025, além de informações da Agência Nacional de Energia Elétrica sobre micro e minigeração distribuída. (EPE)

Os percentuais de geração, capacidade instalada e crescimento apresentados podem variar conforme o indicador utilizado, especialmente quando se compara geração efetiva em GWh com capacidade instalada em GW. Por isso, os números acima distinguem esses dois conceitos sempre que necessário.

Pronto para proteger o que mais importa?

Não espere mais para garantir a segurança e tranquilidade da sua família, casa, carro ou negócio. Fale com um de nossos especialistas agora mesmo.

Pronto para proteger o que mais importa?

Não espere mais para garantir a segurança e tranquilidade da sua família, casa, carro ou negócio. Fale com um de nossos especialistas agora mesmo.